forno da capela

                       
  Antigamente; na Quinta da Ponte havia 2 Fornos  Públicos.  O     Forno da Fonte Velha, situado no
 termino do Bairro da Fonte Velha; que foi demolido para ceder espaço para ao Caminho, que faz a ligação da Estrada, ao Moinho da Regada. E o Forno da Capela, situado no Bairro da Capela e que ainda hoje existe; em frente a casa onde eu fui criado. Neste Forno se cozia o Pão, os Biscoitos, o Pao de Ló e de quando em quando também se assavam uns Cabritos e na Pascoa se cozia os tradicionais Bolos de Azeite. A lenha para aquecer o Forno para os Bolos de Azeite, sempre que possível era a lenha seca de Urogueira. Ainda me recorda que numas Matas dos meus Pais, localizadas em propriedades já pertencentes a Freguesia de Dornelas. Mata da Moleira, Mata do Padre Manuel e a Mata dos Caldeirões; havia lá bastantes Urogueiras; usávamos a sua rama para aquecer o Forno para os Bolos de Azeite e das suas raízes se fazia o carvão, que se usava para o ferro de engomar a roupa e para o fogo onde se aguçavam diversas peças de ferramenta. O carvao fazia-se da seguinte maneira:- Fazia-se uma vala funda, enchia-se com as raizes da orogueira e acendiava-se; quando chegasse a condicao de carvao, abafavasse com terra e no dia seguinte, retiravasse o carvao. Mas quase sempre; e especialmente, na Mata do Padre Manuel; encontrávamos a rama já cortada e seca, e ao lado uma vala aberta, onde o Chabregas e a sua Etelvina, de Forninhos, já tinham feito o carvao e tinham retirado, sem falarem com Dono.
As bancadas do Forno; onde colocavam os tabuleiros do Pão; também eram usadas como Maçadeiros ou ( Maçadouros ) ; onde as mulheres com as suas maças, maçavam o Linho, que depois o tascavam num cortiço,com as suas espadanas. Deste trabalho resultava o Linho ( fino ) e a Estopa ( grossa ) . A seguir o Linho era fiado na Roca, depois era dobado na Dobadeira e depois
seguia para o Tear, donde saia o Pano de Linho. No Tear, também se faziam os Cobertores de farrapos e tapetes. Na Quinta da Ponte havia 4 Teares e as suas tecedeiras, além de tecerem as suas Teias e dos seus familiares, também teciam para diversas pessoas da Povoação; mas só por amizade, não recebendo dinheiro pelo seu trabalho.
O CORTICO, era uma peça cilíndrica de cortiça de cerca de um metro e vinte centímetros de altura e com um diâmetro de cerca de sessenta ou setenta centímetros, de preferencial de uma só peça.
A maça, era uma peça de madeira pesada em forma cilíndrica, com uma mãozeira num dos seus extremos. A espadana era uma especie de um grande Cutelo, feito de madeira de Nogueira.
Isto que aqui descrevo, era no tempo em que a custa de muito esforço e trabalho, as nossas
Povoações eram quase Auto-suficientes. Mas da existência desse tempo; já pouco resta.

                                       José da Costa Cardoso