Historia do Antanho


Historia do Antanho

Lá estava o meu Fiel, de guarda á Canastra, á Cesta, aos Garrafões de vinho, á Cantara da água e
ao Chapéu de palha; já depois do Almoço . Pois as mulheres que tinham transportado o Almoço, tinham ido ajudar no trabalho, para aproveitar o tempo. A trouxa do almoço, regressaria a Casa;
quando fossem buscar a Merenda. Nesse tempo; quando nas nossas Terras, toda a gente trabalhava
desde criança e de Sol a Sol, excluindo os muito idosos, que já não podiam arrastar os Pés. Nesse tempo, a gente era muito sacrificada com árduo trabalho, mas não sei porque; havia
mais alegria do que atualmente, pois, que até a trabalhar se cantava. Fosse a ceifar o centeio, a
sachar o milho, ou na vindima; nem o suor proveniente do calor e o esforço tiravam alegria. E era assim que tornávamos as nossas Povoações quase autos-suficientes, e os nossos
campos numa beleza; verdes e floridos, parecendo um JARDIM. Coisa, que muita gente de agora;
terá muita dificuldade em acreditar.  Deixo aqui uma referencia do meu Fiel :- se alguém se esquece-se, duma peça de ferramenta, um
casaco,um chapéu, ou até uma rodilha; ele ficava lá de guarda até que alguém de casa, fosse buscar
o que tinham esquecido; do qual davam conta, pela ausência do cão. Assim; era Fiel pelo seu
nome e fiel pelas suas obras. Além de que enquanto era pequenino, foi o o meu brinquedo.
Este cachorro foi-me oferecido ( com cerca de um mês de idade ) pelo tio Luís Grilo de
Forninhos. Numa sexta feira, ao regressar da Feira de Castendo, estava a beber um copo á porta da
Taberna do Luís Morgado ( hoje café do Filipe). Eu ia a passar e ele disse-me ó Cardosito! Tu és
neto dum amigo meu; ( referindo-se ao meu Avo materno, que eu não conheci; pois já falecido,
há mais de 30 anos, e eu ti cerca de dez anos). Na verdade deviam ser amigos; para que passados,
tantos anos; ao ver-me a mim, se lembrasse do meu Avo.(eram assim as amizades de antigamente).

José C. Cardoso