quinta-feira, 3 de abril de 2014

OS TRES CHAFARIZES MAIS MODERNOS, DA QUINTA DA PONTE



OS TRES CHAFARIZES MAIS MODERNOS,
DA QUINTA DA PONTE

Quando a água passou a ser fornecida diretamente ás casas de habitação, também foram construidos três
Chafarizes, em três locais distintos da Povoação. O primeiro localizado na parte detrás do antigo
Chafariz e assim também próximo da Capela. O segundo á saída da povoação, na bifurcação do
Caminho e da Estrada em direção ao Bóco, Sezures etc. próximo do café do Filipe e do antigo café do Manuel Cardoso. Na área em que antigamente era conhecida por Cruzeiro, devido a um alto Cruzeiro, que existia em frente do café do Filipe. O terceiro está colocado no Alto da Ladeira.
Infelizmente; estes chafarizes já quase não são usados, porque as poucas habitações que ainda existem na povoação, temem água canalizada e assim estes novos chafarizes, por falta de uso, passaram a ser coisas do antanho.
J. C. C.

TERCEIRA FONTE


--- TERCEIRA FONTE DA QUINTA DA PONTE ---

--- CAFARIZ DA CAPELA ---

Esta Fonte está situada quase em frente, do lado esquerdo da Capela do São Miguel.
Esta é a Fonte do do meu tempo, já existia quando eu nasci e ainda hoje existe, mas praticamente em desuso. Tinha um tanque (FONTE) , que fornecia água para duas Pias; uma grande onde bebiam os bois, cavalos e burros e outra mais pequena onde bebiam as ovelhas, cabras etc.; desde há anos que só existe a pia maior.
Desta pia, a água seguia pelo rego da Calçada e continuava pelo rego da Laje, donde
era aproveitada para uma poça e para um tanque para regar as terras.
Pelo São João; era por detrás da bica do chafariz, onde a rapaziada colocava os vasos
dos jardins; que usualmente as raparigas tinham nas sacadas ou janelas de casa; e os rapazes ao escuro da noite os iam surripiar para fazerem a cascata do São João, junto á Fonte; donde as raparigas só os podiam retirar depois das Festas do São João, de contrário eles voltavam ao Chafariz, por obra e graça do Divino Espírito Santo.
A noite depois de regressarem do trabalho da agricultura; enquanto as Mães, cozinhavam a antiga Ceia, os rapazes e as raparigas iam diversas vezes a fonte para abastecer a casa com água para essa noite e para a manhã do dia seguinte e por vezes,
alguns e algumas aproveitavam essa idas á Fonte para namoriscar, ao chegar a casa justificavam a demora, argumentando que estiveram á espera da vez; porque a água para beber, cozinhar etc., tinha de ser da Bica.
Nos anos 44 ou 45 do século passado, a Fonte deixou de funcionar por um largo tempo; devido a rutura na canalização, entre o Chafariz e a Porta da Adega do
Tio Vicente Velho e em vez de repararem a rotura, foram pelo mais fácil; cortaram canalização a cerca de três metros desviados da porta da Adega do Tio Vicente Velho, desterraram e levantaram o tubo a uma altura, pouco mais da altura dum cântaro e aí
se passou a encher os cântaros de água, por muito tempo.
Escrevo este ultimo paragrafo, porque me lembrou de um caso inédito. Nesse ano
houve muito vinho; assim os compradores ofereciam um preço muito baixo; um dia
um taberneiro foi á Adega do Tio Vicente Velho, para lhe comprar o vinho, já me não
lembro bem se lhe ofereceu três ou seis escudos por almude; ele respondeu-lhe, que esse preço nem sequer pagava o trabalho para medir o vinho e ficou tão zangado,
que abriu a torneira do Tonel e o vinho juntou-se ao rego da água pela Calçada
abaixo até vazar o Tonel.
Toda a gente que viu; se admirou e se encheu de rir.
Este homem era muito trabalhador; tinha oitenta e tantos anos e podava as videiras, fazia a escava, a cava, a vindima, carregava as uvas, fazia piza, enchia os toneis sozinho; e chegou a ter cento e tal almudes de vinho.
A sua vinha era numa propriedade chamada Chões, na área onde hoje reside o Senhor Horácio Botelho; seu bisneto.
Este senhor já não tinha dentes, mas com as suas gengivas comia as côdeas do Pão de milho como qualquer jovem;
foi talvez o homem mais saudável da Quinta da Ponte. Faleceu devido a uma inflamação, numa unha do dedo dos pés.
Se não fosse essa inflamação talvez, chegasse a um século .

Kearny 23 de Janeiro de 2014
N, J, – U. S .A
J. C. C.


sábado, 11 de janeiro de 2014

SEGUNDA FONTE DA QUINTA DA PONTE


--- FONTE VELHA ---

Esta foi a segunda Fonte da população da Quinta da Ponte, onde a população se fornecia de água para as suas necessidades e para os seus animais. Está situada no Bairro do seu nome;
( Fonte Velha ) .
Esta fonte é quadrada e é toda construida com grandes pedras retangulares; na base, nas paredes laterais,nas paredes detrás e no teto e da frente; o nascente vem através da junção da
primeira pedra detrás com a primeira lateral esquerda (ou seja esquina esquerda detrás).
A altura da Fonte é cerca de dois metros e meio, mas a frente era cerca de um metro e trinta, pois
daí para cima era a abertura da Fonte, para as pessoas se poderem manobrar, poderem tirar os
cântaros de água e poderem entrar na Fonte para fazerem a limpeza.
Exteriormente, as paredes estavam quase aterradas, expecto a parte da frente, que estava desterrada
até á base.
No meu tempo; esta Fonte só servia para regar as hortas, os feijões etc., mas como é óbvio tinha
de se tirar a água com caldeiro ou ( cabaço); porque nunca ninguém teve a ousadia de destruir esta
Relíquia Histórica. Mas já há tempo que a água sai de corrente, porque alguém teve a ousadia de partir as Pedras da Frente. Mas como a agricultura está quase desusada, a Fonte também está quase abafada, com as ervas daninhas.
O que aqui descrevo refere-se mais ou menos aos anos 45 do século passado e nessa data já existia
há longos anos o Chafariz da Capela, portanto já ninguém usava a Fonte Velha, a não ser para
regar os frutos.

Kearny, New Jersey, U . S . A. 10 de Janeiro de 2014
José da Costa Cardoso
 

sábado, 30 de novembro de 2013

A QUEDA DA AGUA DO ACUDE DA REGADA PONTE



---- RIO DAO ----
(ALEM DO MAIS; NO ANTANHO, FOI TRANSPORTADOR DE MADEIRA )

A Quinta da Ponte,na sua área do Rio Dão, tem sete Açudes; sendo o primeiro, o Açude da Moleira,segundo o Açude da Regada Ponte,
terceiro o Açude da Regada Ladeira, quarto o Açude da Laje da Ribeira, quinto o Açude da Regada, sexto o Açude dos Alões de
Cima, sétimo o Açude dos Alões de Baixo. Nestes Açudes existiam
cinco Moinhos; os quatro mais próximos eram explorados pela
população;que eram :- o Moinho do Coxo, na margem direita do Açude
da Laje da Ribeira;o Moinho dos Morgados na margem esquerda, também do Açude da Laje da Ribeira; o Moinho da Regada e o Moinho
da Tia Ana do Alverca, que eram anexos e situados na margem direita do Açude da Regada. O quinto Moinho situado na margem
esquerda do Açude dos Alões de Cima, era explorado pelos Motas,
da Moradia.
Assim; graças ao Rio Dão, a população da Quinta da Ponte,em relação ás povoações vizinhas; era muito beneficiada; pois as terras das margens do rio eram muito produtivas,tanto de verão,
como de inverno e as terras regadas pelos primeiros quatro açudes,ficam relativamente perto da povoação bem como os Moinhos,
onde no inverno e primavera se moía os diversos cereais, como
trigo, centeio e milho, produzido nestas e outras terras.
Em tempos do Antanho; o Rio Dão também foi transportador de
Madeira; porque não havendo Estradas nem Camionetes;os troncos
dos Pinheiros e outras árvores,(no inverno) eram rebolados para o Rio; que com a corrente da água,os levava até ao Porto da Raiva; localizado,já no Rio Mondego,na área de Penacova; donde era distribuída para onde era necessária.
Em locais críticos do Rio Dão, onde por vezes os troncos ficavam estagnados; eram dirigidos para a corrente da agua por homens;
que com umas varas compridas com um gancho no topo, os guiavam de maneira a seguirem a viagem.
Isto; foi-me contado(acerca de 76 ou 77 anos) por um Tio Avo,(Miguel Cardoso de Albuquerque) numa grande Mata chamada Moleira, que tinha sido dos seus Pais e nessa data, já dividida por si e alguns dos seus irmãos; situada na margem direita do Rio Dão, encostada ao Açude do seu nome, (Moleira).
Nessa Mata também me mostrou; umas Valas largas e muito antigas,
que nos tempos do antanho,tinham sido usadas para a serração de grossos troncos de Madeira; que nesse tempo era a única maneira de os poderem serrar devido ao se grande diâmetro.
Possivelmente; que isto não teria sucedido no seu tempo, mas sim no tempo dos seus (nossos) antepassados.
Também foi nesse dia, que ouvi falar na palavra POLEGADA ; tinha eu 5 ou 6 anos. Ele disse-me que quando foi para a escola, ainda não existiam as medidas métricas.

Kearny N. J. ( U. S. A.) 29/ 12/ 2013



sexta-feira, 26 de abril de 2013

Historia do Antanho




Historia do Antanho
Lá estava o meu Fiel, de guarda á Canastra, á Cesta, aos Garrafões de vinho, á Cantara da água e
ao Chapéu de palha; já depois do Almoço . Pois as mulheres que tinham transportado o Almoço,
tinham ido ajudar no trabalho, para aproveitar o tempo. A trouxa do almoço, regressaria a Casa;
quando fossem buscar a Merenda. Nesse tempo; quando nas nossas Terras, toda a gente trabalhava
desde criança e de Sol a Sol, excluindo os Ricos; ( que eram muito poucos ) e os muito idosos, que
já não podiam arrastar os Pés.
Nesse tempo, a gente era muito sacrificada com árduo trabalho, mas não sei porque; havia
mais alegria do que atualmente, pois, que até a trabalhar se cantava. Fosse a ceifar o centeio, a
sachar o milho, ou na vindima; nem o suor proveniente do calor e o esforço tiravam alegria.
E era assim que tornávamos as nossas Povoações quase autos-suficientes, e os nossos
campos numa beleza; verdes e floridos, parecendo um JARDIM. Coisa, que muita gente de agora;
terá muita dificuldade em acreditar.
Deixo aqui uma referencia do meu Fiel :- se alguém se esquece-se, duma peça de ferramenta, um
casaco,um chapéu, ou até uma rodilha; ele ficava lá de guarda até que alguém de casa, fosse buscar
o que tinham esquecido; do qual davam conta, pela ausência do cão. Assim; era Fiel pelo seu
nome e fiel pelas suas obras. Além de que enquanto era pequenino, foi o o meu brinquedo.
Este cachorro foi-me oferecido ( com cerca de um mês de idade ) pelo tio Luís Grilo de
Forninhos; quando regressava da Feira de Castendo, e estava a beber um copo á porta da
Taberna do Luís Morgado ( hoje café do Filipe). Eu ia a passar e ele disse-me ó Cardosito! Tu és
neto dum amigo meu; ( referindo-se ao meu Avo materno, que eu não conheci; pois já falecido,
há mais de 30 anos, e eu ti cerca de dez anos). Na verdade deviam ser amigos; para que passados,
tantos anos; ao ver-me a mim, se lembrasse do meu Avo.(eram assim as amizades de antigamente).
José C. Cardoso

domingo, 17 de fevereiro de 2013

forno da capela

Antigamente; na Quinta da Ponte havia 2 Fornos Públicos. O Forno da Fonte Velha,situado no
termino do Bairro da Fonte Velha; que foi demolido para ceder espaço para ao Caminho, que faz a ligação da Estrada, ao Moinho da Regada. E o Forno da Capela, situado no Bairro da Capela e que ainda hoje existe; em frente a casa onde eu fui criado. Neste Forno se cozia o Pão, os Biscoitos, o Pao de Ló e de quando em quando também se assavam uns Cabritos e na Pascoa se cozia os tradicionais Bolos de Azeite. A lenha para aquecer o Forno para os Bolos de Azeite, sempre que possível era a lenha seca de Urogueira. Ainda me recorda que numas Matas dos meus Pais, localizadas em propriedades já pertencentes a Freguesia de Dornelas. Mata da Moleira, Mata do Padre Manuel e a Mata dos Caldeirões; havia lá bastantes Urogueiras; usávamos a sua rama para aquecer o Forno para os Bolos de Azeite e das suas raízes se fazia o carvão, que se usava para o ferro de engomar a roupa e para o fogo onde se aguçavam diversas peças de ferramenta. O carvao fazia-se da seguinte maneira:- Fazia-se uma vala funda, enchia-se com as raizes da orogueira e acendiava-se; quando chegasse a condicao de carvao, abafavasse com terra e no dia seguinte, retiravasse o carvao. Mas quase sempre; e especialmente, na Mata do Padre Manuel; encontrávamos a rama já cortada e seca, e ao lado uma vala aberta, onde o Chabregas e a sua Etelvina, de Forninhos, já tinham feito o carvao e tinham retirado, sem falarem com Dono.
As bancadas do Forno; onde colocavam os tabuleiros do Pão; também eram usadas como Maçadeiros ou ( Maçadouros ) ; onde as mulheres com as suas maças, maçavam o Linho, que depois o tascavam num cortiço,com as suas espadanas. Deste trabalho resultava o Linho ( fino ) e a Estopa ( grossa ) . A seguir o Linho era fiado na Roca, depois era dobado na Dobadeira e depois
seguia para o Tear, donde saia o Pano de Linho. No Tear, também se faziam os Cobertores de farrapos e tapetes.
Na Quinta da Ponte havia 4 Teares e as suas tecedeiras, além de tecerem as suas Teias e dos seus
familiares, também teciam para diversas pessoas da Povoação; mas só por amizade, não recebendo dinheiro pelo seu trabalho.
O CORTICO, era uma peça cilíndrica de cortiça de cerca de um metro e vinte centímetros de altura e com um diâmetro de cerca de sessenta ou setenta centímetros, de preferencial de uma só peça.
A maça, era uma peça de madeira pesada em forma cilíndrica, com uma mãozeira num dos seus extremos. A espadana era uma especie de um grande Cutelo, feito de madeira de Nogueira.
Isto que aqui descrevo, era no tempo em que a custa de muito esforço e trabalho, as nossas
Povoações eram quase Auto-suficientes. Mas da existência desse tempo; já pouco resta.

                                       Jose da Costa Cardoso